quinta-feira, 12 de agosto de 2010

FOGÃO A LENHA

Fogo de fogão de lenha é diferente de todos os demais fogos.

Veja o fogo de uma vela acesa sobre uma mesa. É fogo fácil. Basta encostar um fósforo aceso no pavio da vela para que ela se acenda. Não é preciso nem arte nem ciência. Até uma criança sabe. Só precisa um cuidado: deixar fechadas as janelas para que um vento súbito não apague a chama. O fogo do fogão é outra coisa. Bachelard notou a diferença: "A vela queima só. Não precisa de auxílio. A chama solitária tem uma personalidade onírica diferente da do fogo na lareira. O homem, diante de um fogo prolixo pode ajudar a lenha a queimar, coloca uma acha suplementar no tempo devido. O homem que sabe se aquecer mantém uma atitude de Prometeu. Daí seu orgulho de atiçador perfeito..." Fogo de lareira é igual ao fogo do fogão de lenha. Antigamente não havia lareiras em nossas casas. O que havia era o fogo do fogão de lenha que era, a um tempo, fogo de lareira e fogo de cozinhar.

TEXTO ORIGINAL EXTRAÍDO DE "COZINHA" DE RUBEM ALVES


sexta-feira, 30 de julho de 2010

MONTANHA

Uma pedra, pequena, diminuta, fragmento de outra maior, na montanha colossal, imponente. Sinto-me no alto, bem ao sabor do vento que bate livre e volta, sem cadência, sem ritmo, mas vem e vai insistentemente, e volta. Refresca e suaviza. Harmoniza, sem ritmo, junto ao cantar de pequenos pássaros. Diz-se uma brisa. Momento raro, embora intenso no sentir como por muitas e muitas vezes já percebido. Faz-se presente o aroma de mato, levemente sorvido com a suave brisa, percorre em meio o meu peito. Suaviza, refresca, purifica. Harmonia em ritmo no cantar, musica de pequenos pássaros. E passa a brisa, no sentir do rosto, aos ouvidos, cabelos, e passa a brisa.

João C Lopes
Extrema-MG 30/07/2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

EM DISCUSSÃO O PARQUE DA MANTIQUEIRA

A Mantiqueira, pela sua importância ambiental de formadora das nascentes dos principais rios que abastecem os pequenos e grandes centros urbanos da região sudeste brasileira, está para ser transformada em Parque Nacional. O que resultaria em benefícios para milhões de brasileiros que dependem das nascentes da Mantiqueira, já muito devastada, cuja mata nativa se encontra atualmente em menos que 7% do seu ambiente natural.
Vejam na matéria da AMDA que noticia sobre a discussão do assunto na Assembléia Mineira:

12/05/2010 AMDA

11/5/2010


ALMG amplia debate sobre criação de parque no Sul de Minas

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais pretende ampliar o debate sobre a possível transformação da Serra da Mantiqueira em parque nacional.

Na reunião desta terça-feira (11), foi aprovado requerimento do deputado Dalmo Ribeiro Silva (PSDB) solicitando envio de ofício a diversas autoridades, informando sobre um manifesto assinado por produtores rurais, apresentado em audiência pública realizada em Passa Quatro, no Sul de Minas, no dia 15/04/2010.

Durante a audiência, o Sindicato dos Produtores Rurais do município manifestou sua posição contrária à criação do Parque Nacional Altos da Mantiqueira, alegando que a desapropriação de fazendas privaria dos produtores condições necessárias à sua sobrevivência, além de romper suas raízes históricas com a terra. A entidade questiona ainda a forma e o preço a ser pago pelas eventuais desapropriações.

O ofício será enviado ao governador, Antônio Anastasia; à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; ao secretário de
Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos de Carvalho; ao procurador da Fundação Estadual do
Meio Ambiente, Joaquim Martins da Silva Filho; ao presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de
Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva; e ao coordenador regional do Instituto Chico Mendes de Conservação e
Biodiversidade, Bernardo Ferreira Alves de Brito.


AMDA - Associação Mineira de Defesa do Ambiente Rua Timbiras, 1560 – 17º andar - Funcionários - Belo Horizonte - MG Telefax: (31) 3291

domingo, 2 de maio de 2010

O NOVO CÓDIGO FLORESTAL

DEBATES NA CAMARA DOS DEPUTADOS SOBRE O CODIGO FLORESTAL

Neste nosso Brasil há muito ainda por fazer, especialmente na Preservação do Meio Ambiente. A atual legislação, a Lei 4771 data de 15/09/1965, com 45 anos, de completa inutilidade, pois o que vemos dia após dia é um desrespeito total ao meio ambiente. A exploração econômica, por todo o território nacional sempre foi realizada sem qualquer critério ou estudo necessário de impacto sobre o meio ambiente. Tudo é possível e realizável por parte dos proprietários, muitos deles detentores de direitos de posse, que exploram com agropecuária ou até loteamentos de luxo nos altos de morros, sem qualquer restrição, ou ação por parte do Estado.

A Lei está aí, desde 1965, há longos 45 anos. As explorações econômicas desprovidas de cuidados técnicos de preservação do meio ambiente, também ao longo destes 45 anos continuam a destruir mananciais, faunas e floras.

Nossos ilustres deputados debatem procurando meios de frear o que consideram uma “legislação muito dura”, que na realidade não se aplica em todo território nacional. Nos topos de morros e nas margens dos cursos d’água, e ainda nas restrições legais ao uso econômico nas APPs (Áreas de Preservação Permanente), nestas em algumas delas temos apenas as placas indicativas, só existem nos Decretos de criação.

E assim vamos nós, brasileiros, caminhando para um futuro com pouquíssimas chances de sobrevivência, pois, da grande maioria das florestas que aqui haviam, muito pouco ou quase nada resta em pé, ou correndo em forma de nascentes.