domingo, 9 de agosto de 2009

A Paineira é um bom exemplo.

O Mantiquispreservada tem como objetivo principal promover, entre pessoas interessadas, a necessidade em propagar um alerta a respeito da crescente destruição de uma das principais fontes naturais de manutenção de clima e nascentes de águas cristalinas. Trata-se da Mantiqueira, um contraforte continental localizado na região sudeste do Brasil, que se desenvolve entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Desde os primordios da especulação colonial, o termo mais exato é especulação, pois não houve em qualquer momento o sentido de preservação dos recursos naturais , são mais de 500 anos de extração desenfreada , sem qualquer controle, resultando em destruição de encostas, nascentes, mangues, e tudo que havia e existia antes.

Essa extração desmedida, destrutiva e descabida, resultou na ínfima percentagem menor que 7% da mata natural que por aqui havia, o que nos restou da exuberante floresta.

A mata nativa tem, há milhões de anos, adequação exata no equilíbrio da propria manutenção do solo, das nascentes, e consequentemente do clima. Árvores nativas ao se desenvolverem equilibram-se entre si, interagem, dão sementes e frutos, propiciam a renovação constante e de forma autonoma, sem a necessidade da interferência do homem. Seus frutos , sementes, folhas e flores abrigam e alimentam uma enorme quantidade de pássaros, insetos e pequenos animais que se alimentam, se desenvolvem e também participam da renovação da floresta.
Numa observação mais atenta vemos que o solo em que se desenvolvem árvores centenárias ocorre a perfeita harmonização entre a estrutura do vegetal, na proporção altura peso e profundidade do solo, e, por incrível que possa parecer, rochas imensas também fazem parte desta harmonia.
Estas rochas milenares cobertas por uma finíssima camada de musgos filtram o ar frio que passa, por entre seus pequenos ramos, densificando em forma de água, pequenas gotas que vão pouco a pouco chegando ao pé da rocha, penetrando no solo e formando finíssimas corredeiras.
Estas corredeiras, aos milhares, descendo montanha abaixo, formando nascentes de puríssima água cristalina. Processo que requer a perfeita harmonia da flora e do solo.
Contamos também com as chuvas que penetram em profundas fendas nas pedras da montanha, percorrendo caminhos internos, sendo naturalmente filtrada e recebendo minerais por onde passa, sendo armazenada e também saindo para fora das rochas, correndo montanha abaixo, formando novas nascentes e cabeceiras de rios, como o Jaguari, por exemplo.
Harmonia esta que vem sendo, ao longo dos tempos, destruído pela exploração sem qualquer preocupação com o replantio de mata nativa, muito ao contrário, sob o título de reflorestamento o que observamos é a "invasão" de mata extrativa, ou seja eucaliptos ou pinus. Estes predominantemente desequilibram o meio ambiente, ganham massa muito rápido, sugando do solo com muita rapidez os nutrientes e a umidade que levam mais tempo para reposição. Este ritmo veloz provoca o empobrecimento do solo, tornando-o fraco e instável. É só advir um temporal mais forte, e lá se vai, morro abaixo tudo o que antes se equilibrava. Solo, pedras, árvores, numa grande grande avalanche insustentável. As nascentes, pós avalanche, não existem mais, apenas uma enorme fenda no solo, que cada vez mais cresce e desmorona.

As explorações agropecuária ou imobiliária, livres de qualquer responsabilidade com o meio ambiente, provocam o desequilíbrio e harmonia resultando nas catástrofes que vêm ocorrendo a cada ano. A interferência do ser humano, na grande maioria, restringe-se apenas ao lucro certo sem a preocupação com o futuro.

A natureza por si só responde simples e diretamente. Veja, por exemplo, a forma de multiplicação da Paineira, Ceiba speciosa, nativa das florestas do Brasil e da Bolívia. Seus frutos, no tempo certo amadurecem e secam nos altos galhos, a casca sêca rompe-se estalando, liberando pequenos maços de algodão, seco, sedoso e branquinho, macio, muito macio. Este por sua vez, tão macio, solta-se com o vento que o carrega para longe levando consigo, suavemente pequenas sementes. Como se fossem asas arremeçadas de uma alta plataforma, estas árvores atingem 20 metros de altura. Ao caírem no solo distante da ávore mãe, encontram condições para o surgimento de uma nova paineira.

Tudo isto a paineira faz a milhares de anos, sozinha, sem qualquer interferência do ser humano.

Haveria a ocorrência de alguma inteligência própria para tal façanha?

Temos o resíduo de 7% onde ainda podemos observar a existência de um equilíbrio, além das inúmeras nascentes que brotam do interior das pedras, e protegidas pelas densas matas, águas puras que rolam montanha abaixo, encabeçando os rios mais importantes da região sudeste. Entre vários, podemos citar: Rio Grande, Rio Jaguari, que por sua vez vão abastecer as represas de milhares de cidades, beneficiando e saciando milhões de pessoas.
Esta é a importância da Mantiqueira.

As APAs - Area de Preservação Natural, foram criadas e regulamentadas há mais de 10 anos, mas muito pouco se observa da real e necessaria preservação. Observamos apenas a colocação de placas indicando os locais de "preservação permanente", nada mais como ação oficial são placas, ao longo da Rodovia Fernão Dias, indicando o inicio e fim dessas APAs.
Placas não preservam, apenas indicam. Nada é fiscalizado, nem mesmo orientado.
Vários municípios que se localizam na Mantiqueira descarragam a totalidade dos esgotos diretamente nas margens dos rios, sem qualquer tratamento. Pois o que se comenta é que "tratamento de esgoto não produz voto, pois fica escondido do povo".
Tanto tempo decorrido, 10 anos dos Decretos de criaçao e regulamentação das APAs, temos apenas as placas indicativas.

A exploração continua em ritimo acelerado, e dentro de pouco tempo ja não restarão nem os 7%.

Considero os 7% um "resíduo".

Este "resíduo", com toda força que possui, contando com uma colaboração razoável de todos os que exploram os recuros, poderá se desenvolver, proguedir e atingir algum percetual mais aceitável, que resultará em benefício para milhões de habitantes, inclusive para aqueles que se situam muito distantes da Mantiqueira. Nossa Mantiqueira, mesmo destruída como esta, ainda produz uma enorme quantidade de nascentes, mananciais , que formam cabeceiras de rios. Estes rios vão bem longe fazer parte do abastecimento de água urbano de milhões de seres humanos que habitam a região sudeste.

Temos que continuar insistindo em alertar nossas autoridades e nosssos vizinhos da responsabilidade que cabe a cada um de nos em preservar as maiores preciosidades para a vida humana, o clima e a água.

Já estamos enfrentando crises climáticas enormes com a cocorrência de graves enchentes e desmoronamentos. A situação se agrava a cada ano com a continuidade do desmatamento desordenado e irresponsável.
A cada estação climática sofremos com as temperaturas muito acima do que nossos pais e avós sentiam, grandes enchentes, deslisamentos, desmoronamentos, e por aí o que será que devera vir mais?

Devemos nos preocupar com a continuidade da vida, produzir um mundo melhor para os nossos filhos e netos.

Sera que ha necessidade em desequilibrar o meio ambiente, para a realização de um desenvolvimento em todos os locais que a "civilização" decidir se instalar?